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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

SENSO TEATRAL COM HUMBERTO GOMES

SP Escola de Teatro (link abaixo), tem uma seção chamada Papo de Teatro, que apresenta entrevistas com várias personalidades da área.
Achei interessante promover aqui no Ensaios e Cenaso mesmo formato dando destaque aos artistas da nossa região.
O convidado é Humberto Gomes. Morando atualmente em Curitiba e vivendo da sua arte (Gracia a dio!!!), Humberto teve um papel fundamental na cena teatral de São Roque, e posso atestar que sua figura vivaz e sensível, faz muita falta por aqui...

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Desde pequeno gostava de inventar histórias, segundo a minha mãe eu ficava horas na área de casa interpretando um mestre japonês... Na segunda série pedi ajuda para escrever uma peça e a mãe disse: “ escreva!”. Daí pra frente eu acabava participando em todos os eventos que envolviam teatro, inclusive em outras escolas.
Lembra da primeira peça a que assistiu?
Uma peça infantil chamada “Fantástica Fantasia” no teatro Ruth Escobar.
Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
“Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, direção de Paulo Fabiano.
Um espetáculo que mudou a sua vida.
“Pobre Super Homem” de Brad Fraser, direção Sérgio Ferrara.
Você teve algum padrinho no teatro?
Tive vários:
-Meus primeiros professores em São Roque: Rogério Paniágua e Marcelo Botelho
- Luiz Baccelli, Paulinho Fabiano e Zédu Neves, no Macunaíma.
- Silvia Mello, que me deu muitas oportunidades para desenvolver o teatro na Brasital.
-George Sada, diretor da Cena Hum em Curitiba.
Já saiu no meio de um espetáculo?
Uma vez, no intervalo.
Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
“Os 7 Gatinhos”  do Paulo Fabiano, justamente por ter me feito mudar o modo de ver o teatro.
Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Assisti sim! Normalmente faço isso quando quero assimilar as subliminaridades contidas nele.
Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? Estrangeiro?
Nelson Rodrigues, Dias Gomes, Garcia Lorca, Brad Fraser, Tennessee Williams. Dentre tantos...
Qual companhia brasileira você mais admira?
Grupo Galpão, Armazém, Cia Brasileira.
Qual gênero teatral você mais aprecia?
Eu gosto da comunicação que o teatro proporciona. A questão do gênero não é tão relevante para mim e sim a qualidade do espetáculo. Tá, tudo bem... tendo que escolher prefiro o drama à comédia, mas uma tragicomédia musical é o meu estilo- rsrs.
Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Os dois. Ás vezes o encenador se equivoca em alguns pontos da linguagem escolhida para representar um texto, ou o texto não tem profundidade/clareza suficiente para ser bem encenado, ou ainda, é só uma opinião do expectador.
Cite um cenário surpreendente.
Da peça “Os sete afluentes do Rio Ota” assinado por Helio Eichbauer.
Cite uma iluminação surpreendente.
As do Beto Bruel.
Cite um ator/atriz que surpreendeu suas expectativas.
Beth Goulart em “Dorotéia Minha” e Luiz Bertazzo em “Homem Piano”.
O que não é teatro?
Pensando no amplo contexto do teatro (peças, cenas, performances, ações) tudo que estiver ligado a isso é teatro.
Onde houver alguém assistindo outro alguém, acontece um ato cênico.  
A idéia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
A arte é ampla, consequentemente o teatro também,portanto todo ato, cena, performance que tenha consciência dessa amplitude cabe no teatro.
Na era da tecnologia, qual o futuro do teatro?
É uma pergunta que me faço quase todos os dias. Acredito que o futuro do teatro depende de quem o executa continuar crendo no poder de transformação que ele tem; a transformação da alma!  Os sentimentos, com toda certeza ainda hão de ser maiores que a evolução tecnológica.
Em sua biblioteca não podem faltar quais livros/peças?
Os livros do Stanislavski, A Coleção do Nelson Rodrigues, O Fichário da Viola Spolin, Um Bonde Chamado Desejo- do Tennessee Williams, Esperando Godot – do Beckett – Livros de Teatro em geral, novos dramaturgos; Livros de Filosofias Espirituais e Misticismo.
Cite um (a) diretor, um (a) autor e um (a) ator que você mais admira.
Diretor – Marcio Abreu
Autor – Max Reinert / Airen Wormhoudt
Ator – Luiz Bertazzo
Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você conhece.
Não classificaria como piores ou melhores, cada um tem sua estrutura e sua forma. Gosto de novos espaços e espaços inusitados.
Qual encenação lhe vem à memória agora? Alguma cena específica?
A Cena que sempre me vem no momento que tenho que lembrar de uma peça é da peça “Os sete afluentes do Rio Ota” , onde a personagem via suas lembranças dentro de um grande espelho.
O teatro é uma ação política? Por quê?
Sem dúvida que sim. O teatro instiga o pensamento, informa e possibilita o desenvolvimento do senso de argumento do expectador.
Por que você faz teatro na região?
Eu comecei fazendo teatro na região sem ter a consciência do que poderia acontecer, simplesmente fui fazendo e experimentando coisas com as pessoas que tinham interesse em desenvolver as artes cênicas. O tempo foi mostrando a importância da formação de platéia, da informação e transformação que o teatro proporcionou para os envolvidos, tanto dentro como fora do processo.
Fiz teatro na região porque tinha algo a dizer, comunicar, expressar; perceber o efeito que isso fazia/faz no desenvolvimento cultural de uma região gerou vários movimentos.
Algumas palavras sobre o teatro da região.
Mesmo tendo deixado a Brasital em São Roque, há quase 8 anos, acompanho o desenvolvimento dos grupos, principalmente de São Roque e Mairinque. A vontade de fazer com que as coisas aconteçam e a crença no desenvolvimento cultural une as pessoas e essa é a grande chave para que as coisas NUNCA deixem de acontecer.
Em Sorocaba sempre houve uma ação pontual impressa principalmente pelo Grupo Katharsis, mas nas micro-regiões se não existir pessoas como vocês -Lisa, Maria Cândida, João Bid, Edson D´Isa, Marco Lessa, Dani Oncala, Amanda Sobral, Marília Taraborelli, entre tantas outras que fazem a diferença e colocam as idéias em frente formando e informando as pessoas, as coisas podem parar- o que não é nada bom.
Tenho orgulho de poder ter participado desse movimento e cada vez que tenho a oportunidade de visitar os grupos, me emociono e creio que as coisas irão se desenvolver cada vez mais. Atitude empreendedora é o que faz a vida mover! Movimento gera movimento! “Se seguirmos sem deixar de acreditar poderemos encontrar a felicidade em qualquer lugar!” 

Humberto Gomes 



http://www.spescoladeteatro.org.br/

quarta-feira, 27 de julho de 2011

SENSO TEATRAL COM CARLOS DOLES

SP Escola de Teatro (link abaixo), tem uma seção chamada Papo de Teatro, que apresenta entrevistas com várias personalidades da área.
Achei interessante promover aqui no Ensaios e Cenaso mesmo formato dando destaque aos artistas da nossa região.
O convidado agora é Carlos Doles, dono de uma "alegria teatral" contagiante...

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Quando pequeno, lá pelos meus 06, 07 anos, já adorava brincar de apresentador de telejornal, novela, etc. Aos 09 anos comecei a acompanhar minha irmã mais velha em alguns de seus ensaios de teatro na Casa da Cultura de Piedade, até que o saudoso diretor Paulo de Andrade me encaixou como auxiliar de uma bruxa no espetáculo “A Bruxinha que era Boa”. Mas foi aos 16 anos que de fato descubro a paixão pelo fazer teatral, quando entro no grupo da escola que estudava (já em Sorocaba) sob a direção do queridíssimo Ademir Feliziane.
Lembra da primeira peça a que assistiu?
“O Casamento da Dona Baratinha”, creio que vi em 1989 ou 90. Logo depois, como já disse na resposta anterior, começo a acompanhar minha irmã e a assistir muita coisa lá em Piedade.
 Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
“Till Eulenspiegel” com a Fraternal Cia. de Artes e Malas Artes, me apresentando o teatro popular, narrativo e de grande qualidade artística.
Um espetáculo que mudou a sua vida.
“...E o céu uniu dois corações” montagem com o Grupo Manto me abre o panorama do teatro profissional. Foi depois da temporada que, de fato, decido seguir pelo caminho do teatro profissional. “Histórias Banais” com direção de Rodrigo Scarpelli, também modifica, mas desta vez, minha visão estética teatral, e altera meu fazer artístico e minha pesquisa como ator.
Você teve algum padrinho no teatro?
Todos os diretores com quem trabalhei foram fundamentais em minha formação, mas inegavelmente Hamilton Sbrana foi singular. Um grande amigo e incentivador. Foram dezenas de espetáculos juntos, extremamente significativos para minha formação e conduta teatral.
Já saiu no meio de um espetáculo?
Já sim, creio que umas duas ou três vezes. Acredito, que depois de ter pesquisado e trabalhado com o teatro popular, esse mito do “Sair” durante um espetáculo, caiu por terra para mim. O teatro popular busca a aproximação com a plateia, e principalmente sua independência. Se gosto fico, se não me vou. É claro que a sala de teatro tem suas próprias regras, mas se o espetáculo não está me afetando, se não está me seduzindo ou me comunicando, e se a porta dos fundos estiver aberta e minha saída não atrapalhe ninguém, posso sim ir embora.
Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
Todos os que vi da Fraternal Cia. De Artes e mais uma porrada de outros que vi por aí. Existem espetáculos que são deliciosos de assistir, mas existem outros que, além de deliciosos para assistir, são tentadores para se fazer. Não sei explicar direito isso... e não tem um motivo comum em todos que vejo, mas posso afirmar que morri muito de vontade de fazer vários espetáculos.
Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Sim, alguns. Geralmente é porque eles têm algo que me chama a atenção, que me comove. Lembro de ter visto duas vezes o espetáculo “Hysteria” do Grupo XIX, em dois espaços diferentes. Foi belíssimo perceber o trabalho de apropriação espacial do grupo.
Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? Estrangeiro?
Luiz Alberto de Abreu é um dos meus favoritos. Gosto muito do que Augusto Boal deixou, Bertold Brecht, Federico Garcia Lorca, entre outros.
Qual companhia brasileira você mais admira?
Gosto muito do Grupo Galpão, Fraternal Cia., Grupo XIX, Folias D´arte, entre outros.
Qual gênero teatral você mais aprecia?
Gosto do Teatro Vivo, pulsante, humano... O teatro do aqui agora... Sou fã do bom teatro, não muito “intelectualóide” ou muito antiquado. Gosto do popular, mas amo as novas tendências “pós-tudo”. Gosto da bagaceira, mas me emociona fácil o poético. Adoro circo, clown, rua, mas curto muito um bom e velho clássico montado a partir de questões pulsantes e pungentes.
Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Existe sensibilidade, gosto, anseios, dúvidas, pesquisas, equívocos. Existe teatro feito “de qualquer jeito”, sem ponto de partida e sem rumo, esses talvez não interessem tanto, para mim, é claro. Mas também existe TEATRO DE QUALQUER JEITO, independente de condições, com comunicação e coração. O fazer é fundamental, e se teatro, na origem da palavra, é o lugar de onde se vê, então precisamos sim tornar públicas nossas obras. É a relação com o público que vai determinar o teatro. Bom e ruim são conceitos muito relativos e subjetivos.
Cite um cenário surpreendente.
Do espetáculo Lês Éfhémères com o Théâtre Du Soleil.
Cite uma iluminação surpreendente.
Nossa, acho que não consigo responder isso...
Cite um ator/atriz que surpreendeu suas expectativas.
Gero Camilo em “Aldeotas”, maravilhoso!
O que não é teatro?
Teatro não é só. Não é só texto, não é só ator, não é só palco ou rua, não é só corpo, não é só pesquisa, não é só dinheiro, não é só diversão, não é só teoria, não é só isso ou aquilo. Teatro é conjunto, é isso, aquilo e aquilo outro. Teatro é Também, é como, é tanto e é quanto. Teatro é ação + diversão + assistência + , +, +...
A idéia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Cabe! Tudo é válido, nem que seja para depois jogarmos fora, no lixo. Grandes ideias da história da humanidade (e do teatro também) surgiram assim, no Vale Tudo!
Na era da tecnologia, qual o futuro do teatro?
Penso que o futuro do Teatro seja a existência na perseverança. Já devíamos ter acabado com o cinema e não acabamos. O rádio ia nos matar, e não nos matou. A TV iria destruir a arte teatral, e não destruiu. Agora a internet vai acabar com a gente! Acho que não. Não sei como, nem porque, mas estamos aí, fazendo. E enquanto tiver um único ser a fim de ver nosso trabalho, nós trabalharemos!
Em sua biblioteca não podem faltar quais livros/peças?
História do Teatro, Jogos teatrais (do Boal, da Spolim, etc). Brecht, Contos Populares (Câmara Cascudo), Peter Brook... Aí tantos outros, adoro!!! Quem quiser pode me dar livro de presente!!!
Cite um (a) diretor, um (a) autor e um (a) ator que você mais admira.
Peter Brook, Luiz Alberto de Abreu e Gero Camilo.
Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você conhece.
Se o espaço se propõe a ser um “Teatro Convencional” ele deve oferecer uma estrutura mínima para aqueles que vão utilizá-lo com este fim. Quantas e quantas salas de teatro “meia boca” não encontramos por aí... Mas acho que isso é pequeno. A maior questão é o acesso a esses espaços, convencionais ou não. Até a rua, lugar público do público, enfrenta problemas de acessibilidade teatral. Em algumas cidades de nosso país é proibido apresentação em lugares públicos, em outras se tem que pagar para utilizar e assim vai.
Qual encenação lhe vem à memória agora? Alguma cena Imagens específica?
Imagens do “Histórias Banais” por conta da utilização do espaço.  E imagens da peça que dirijo que está em cartaz aqui no Espaço da Trupe Koskowisck: “A Incrível Vuagem de Jacó Vemcá em busca da Verdade” do Núcleo Descobrir Teatro.
O teatro é uma ação política? Por quê?
Sim. O Teatro é político, pois congrega, estimula o social. Questiona. Democratiza.
Por que você faz teatro na região?
Porque aqui nasci, aqui me criei e aqui descobri inúmeras possibilidades. Fazer teatro não é fácil. Aqui, em São Paulo, no Rio. Em qualquer lugar. Mas é possível fazer e viver de teatro em nossa região. Sorocaba é um pólo. Umas das principais cidades do país e merece um bom e forte teatro. Por acreditar nisso tenho a cidade como minha sede. E é sempre bom levar nosso trabalho e ministrar oficinas pelas cidades que nos rodeiam.
Algumas palavras sobre o teatro da região.
Um teatro importante. Muitos atores e atrizes de nossa região hoje estão em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros cantos desse país. E começaram aqui, são filhos desta terra. Nossa região é muito rica na pesquisa e produção teatral. Temos cursos superiores em Teatro em Sorocaba e em Salto. Temas várias escolas livres, o Conservatório de Tatuí, A Oficina Cultural Grande Otelo que mantém inúmeras oficinas por toda região. Temos grupos profissionais que já são referência em todo o estado. Temos um passado de dar orgulho e um futuro a fazer. Mas temos um presente onde o fazer toma conta dos palcos, praças, galpões, escolas, igrejas, garagens, quintais, parques, ruas, etc. 
Temos o teatro como presente! Merda para todos nós.


Ator profissional. Graduado em Teatro - Arte Educação pela Universidade de Sorocaba (UNISO). Participou como ator em diversos grupos da cidade de Sorocaba e em diversas peças como “Cibernética”, “Pilatos” e “Mama na Ama” (Cia Camarim de Teatro), “Romeu e Julieta” e “E o Céu Uniu Dois Corações” (Grupo Manto), “Histórias Banais” (Confraria Quituteira de Teatro), “A Sobrinha de Creonte” (Cia Desmedida de Teatro), além de diversos trabalhos artísticos dentro e fora do país com a Empresa Coan Alimentos. Coordena e dirige o Núcleo Descobrir Teatro, o Núcleo Teatroterapia. É professor de Jogos Teatrais e Montagem Teatral na Escola Técnica de Arte e Comunicação (ETAC). Ministrou diversas oficinas através da Oficina Cultural Regional Grande Otelo e no Projeto “Oficinas do Saber” da Prefeitura Municipal de Sorocaba. É ator contratado da Cia. Estável do Conservatório de Tatuí onde atua nas montagens “Rosa de Cabriúna” (2009) e “Vereda da Salvação” (2010). Pesquisa a linguagem do clown, da rua e do teatro popular desde 2005 com a Trupe Koskowisck, onde criou e atuou em cerca de 15 espetáculos. A Trupe está em temporada com seu novo espetáculo “O Moço que casou com Mulher Braba”.



terça-feira, 26 de julho de 2011

CAUSOS E POESIAS

"A palavra de um poeta, tocando o ponto exato, abala as camadas profundas do nosso ser." (Gaston Bachelard)


Fiquei pensando o quê escrever sobre o último domingo, quando dentro da programação do "Inverno Cultural" em Canguera, integrantes da CIAdeEROS interpretaram poesias do escritor Roberto Godinho.
Na verdade, a própria poesia de Godinho e as fotos de Mário Barroso, já dizem tudo, então, aí vai...
CINZAS NAS MATAS
...E nas matas
Naqueles odores matinais orvalhados
Pretendo ainda permanecer eu   
Ouvirei os pássaros
Os tatus me darão movimento
Farei parte do solo
Com um pouco de sorte
Daniela Campos
Poderei ser seiva  

Virei essência
Desprendi-me do que podia
Virei resíduo fixo de mim
Pra me incorporar à vida que continua  

Estamos sempre aqui
Somos parte da natureza
Em parte somos gases
Matheus, Dani e Rodolpho
Podemos flutuar    

Em parte somos sólido
Podemos nos fixar
Do líquido que somos
Matheus Pezzotta
Podemos fazer rio e caminhar  

É bom ser solo
Solidário com as minhocas
Sentir pesados pés
Ser parte das árvores
Sem temer o machado
Morar nas nascentes
E gostar de ser puro
Ser parte do ar
Rodolpho Heinz
Sem mudar seu perfume  

É bom estar em casa de novo
Brincar de novo
Nadar em gotas
Desarmar arapucas
Morar na toca do tatu
Subir em árvores por dentro
Não temer espinhos
Não pisar o broto promissor
Ser brinquedo de passarinho
Caminhar no colo dos outros
Refrescar-se de orvalho
Tomar banho de chuva
Não perturbar a quietude
Obedecer à mãe natureza
Falar pela boca da noite
Repousar na paz da mata
Esconder-se no escuro da noite
Achar evidências no claro do dia
Alimentar-se de brisa
Perfumar-se de flores
E viver só de amores                                                                                                                                                                                                                     

E podemos sempre nos encontrar
Venha com delicadeza
Pisa este chão com cuidado
Sempre em silêncio
Sinta o cheiro no ar
E o frescor do ambiente
Apesar da penumbra
Há luz bastante
Para nosso encontro


Responderei a cada gesto seu:
A cada passo um estalo
Para lhe acariciar eu serei folhas
Pra seu repouso eu serei tronco
Pra lhe matar a sede serei água nascente
Na troca de saudades
Eu me manifestarei orvalho
Só não quero tristeza
Porque estarei sempre alegre
Ao poder lhe rever
Pelos olhos da minúscula florzinha


Lélis Andrade como Pierrot


Inverno Cultural
Local: Vinhos Canguera e Restaurante Nostra Villa
Todos os domingos de julho - das 14h às 16h
Produção: D'Aisa Produções Culturais
Próxima atração: 31/07 - Cordas e Cantos com Edson D'Aisa e Matheus Pezzotta
Fotos: Mário Sergio Barroso

   

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ADEGA EM CENA

Na tarde de ontem, tive o privilégio de ver algumas figuras ilustres, e mortas, juntas, tomando um bom vinho de Baco em Canguera. 
Eram eles: o dinamarquês Hans Christian Andersen e os portugueses Fernando Pessoa e José Saramago.
Pasmem meus caros leitores, isso aconteceu mesmo, e só foi possível (pelo menos aqui num lugar chamado realidade) através do teatro.
Reunidos na cena sãoroquense, mais uma vez, a CiadeEros e o grupo  Autônomos, encantaram uma plateia fascinada pelas palavras dos nossos ilustres autores e por pura teatralidade nas concepções da minha direção em o "O Rei que fazia desertos" com Joaquim Marquês...

E "Memórias Exdrúxulas" com Lélis Andrade... 

E "A Roupa Nova do Imperador" com direção de Amanda Sobral e figurinos de Marco Lessa.



Podem me chamar de louca, mas eu realmente vi autores mortos sentados juntos numa mesa, tomando vinho num lugar chamado Canguera, que não por acaso significa em tupi-guarani ossada, cemitério... 

Inverno Cultural
Local: Vinhos Canguera e Restaurante Nostra Villa
Todos os domingos de julho - das 14h às 16h
Produção: D'Aisa Produções Culturais
Próxima atração: 24/07 - Causos e Poesias com o escritor Roberto Godinho e integrantes da CiadeEros
Fotos: Mário Sergio Barroso


sexta-feira, 8 de julho de 2011

MINHAS FOTOS PREFERIDAS DO FLITS (FESTIVAL LIVRE DE TEATRO DE SOROCABA)





















Fotos de Jennifer Nascimento
Ficha Técnica de "Era uma vez..."
Texto: Vitor Martinez
Direção Musical: Matheus Pezzotta
Música Composta: Edson D'Isa
Figurinos: Marco Lessa
Costureira: Chiquita
Iluminação: Daniela Oncala
Maquiagem: Gayby Pinho
Fotógrafas: Beatriz Marques e Jennifer Nascimento
Uma encenação de Lisa Camargo
Apoio: Divisão de Cultura da Prefeitura da Estância Turística de São Roque


domingo, 26 de junho de 2011

MAPA CULTURAL PAULISTA - FASE MUNICIPAL ALUMÍNIO

Estou tentando entender o que aconteceu na noite de ontem na cidade de Alumínio, quando um júri de uma soberba impressionante determinou que não recomenda a peça "O Príncipe Feliz" do grupo Sacra Mistura para representar a cidade na fase regional do Mapa.
Se o Mapa Cultural Paulista tem como proposta promover o intercâmbio regional e o mapeamento dos produtores de cultura e de suas atividades no Estado. Se pretende criar uma grande vitrine cultural com o propósito de identificar, ressaltar e divulgar os produtos culturais das diversas regiões do interior paulista, então quais critérios foram usados para apagar com uma borracha o trabalho e a história de pessoas que estavam lá para apresentar a sua arte à comunidade?   
Minha indignação está por conta ainda da forma como as coisas foram conduzidas pelos representantes da cultura local.
Primeiro, para esclarecer: o regulamento pede que o evento deve contar com 3 jurados, de reconhecido saber na respectiva área. Na minha opinião, para provar que o júri tinha essa qualificação, dois apresentadores revezaram-se para ler umas duas páginas do currículo de cada um dos jurados. Até aí, tudo bem...
Após o término da peça, o júri saiu da sala para "deliberar", enquanto ficamos, plateia e elenco "deliberando" sobre o trabalho. Passados uns 20 minutos mais ou menos, entra um representante da cultura local com o veredicto: o "júri soberano" não recomenda o trabalho para a próxima fase. Entrega a avaliação dos jurados para o Antonio Victório (Diretor), que começa a ler pra gente um parecer pífio e sem assinaturas. E onde estavam os jurados? Tinham ido embora...Hã????
A questão que coloquei naquele momento foi: com uma "ficha corrida" daquelas, poderiam pelo menos, dar um parecer mais coerente ou pelo menos ficar ali, para  dar dicas ao grupo que "não sabe nada de teatro".
É muita falta de noção, é muita falta de respeito, é muita falta de educação... 
Estamos tratando de arte, meu Dionísio!!!
Ok.Também vi defeitos na peça, também não gostei de algumas coisas, também acho que o trabalho tem que amadurecer (e haveria tempo pra isso, já que pelo menos dois meses separam a próxima fase) e também a p.q.p...
Agora, jogar no lixo, Oscar Wilde, artes plásticas, música composta, trabalho de atores, de músico, de direção (lembrando que eram os únicos representantes do teatro e que a maioria de todo o trabalho foi feito por profissionais das suas respectivas áreas) é comprovar que Alumínio não deve  mesmo ser representada pelo grupo Sacra Mistura no Mapa Cultural Paulista.
A arte deles merece ficar acima disso...