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terça-feira, 17 de maio de 2011

SENSO TEATRAL COM DANIELA ONCALA


SP Escola de Teatro (link abaixo), tem uma seção chamada Papo de Teatro, que apresenta entrevistas com várias personalidades da área.
Achei interessante promover aqui no Ensaios e Cenas, o mesmo formato dando destaque aos artistas da nossa região.
A convidada agora é Daniela Oncala, atriz sãoroquense, de boa safra...


Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Não me lembro exatamente, a primeira recordação que eu tenho é de ao ser perguntada, com 5 anos de idade, o que eu queria ser quando crescesse, eu respondi, Atriz. Acho que já nasci com esse amor.
Lembra da primeira peça a que assistiu?
Lembro, mais ou menos, foi na escola. E foi horrível. Odeio peças com mensagens. Não use drogas! Estude para ser alguém na vida! A peça era só isso... um porre! Rs. Mas adorava os programas teatrais da cultura!
Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
Foi um espetáculo de teatro de boneco do Peru. Tinha toda a teatralidade que hoje eu busco. Foi lindo e mágico. Mas não lembro o nome.
Um espetáculo que mudou a sua vida.
L'Oratorio d'Aurelia. De Aurélia Thierrée (Neta de Chaplin) e direção de Victoria Thierrée Chaplin (Filha de Chaplin e mãe de Aurélia). Fui com a expectativa de ser um espetáculo da FILHA e da NETA do Chaplin e não me decepcionei, muito pelo contrário, saí de lá maravilhada, querendo fazer circo, dança, teatro de manipulação... Pensei... É ESSE TIPO DE TEATRO QUE EU QUERO FAZER!
Você teve algum padrinho no teatro?
Padrinho, padrinho, não. Mas tive pessoas que me ajudaram e me ajudam muito, mesmo porque estou começando. Quando era uma amatriz (atriz amadora) rs o Humberto Gomes me apresentou a esse mundo, durante a faculdade dois professores (Camilo Scandolara e Adriane Gomes) abriram muitas portas e agora voltando à terrinha conto com a ajuda de meus amigos artistas, Lisa Camargo, Amanda Sobral e Marco Lessa.
Já saiu no meio de um espetáculo?
Jamais. Só sairia morta!
Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
Um espetáculo é bom, na minha opinião, quando quero participar, logo, essa lista é vasta. Mas, citando alguns, L'Oratório d'Aurelia, Andersen's Dream do Odin, Semianyki grupo clown russo perfeitos...
Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Assisti, por achar lindo demais... ou por ser de amigos... ou por ser as duas coisas...
Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro?
Eu, por me considerar uma atriz criante - ator/dramaturgo, não conheço muito bem sobre a dramaturgia, principalmente a nacional... vergonha, né? Rs Mas de estrangeiro adoro o dramaturgo alemão Karl Valentin... e sou apaixonada pelo ator/diretor/encenador/dramaturgo russo Vsévolod Meyerhold.
Qual companhia brasileira você mais admira?
Depois de ter assistido a peça do grupo Kártasis - Sorocaba, Astros, Patas e bananas... esse grupo entrou na minha lista, trabalho Lindo!Mas admiro também o trabalho do grupo Lume, Campinas. Grupo Sobrevento - Rio de Janeiro, Cia Giramundo - Belo Horizonte, entre outros...
Qual gênero teatral você mais aprecia?
Para assistir e fazer, o Teatro Teatral... aquele que engloba música, corpo, dança, bonecos, imaginação... aquele teatro que faz o espectador pensar, inteligentes... commédia dell'arte, clown, grotesco, bufão, circo, cabaré... bata tudo no liquidificador e tome em jejum!
Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Existe ator que não se entrega e grupo que não se comunica...
Cite um cenário surpreendente.
Me emocionei com o espetáculo CINEMA do grupo Sutil Companhia - de São Paulo, pois as cadeiras utilizadas eram do Cine Teatro São José de São Roque, fiquei nostálgica... A Cenografia assinada pela Daniela Thomas... logo... foda!
Cite uma iluminação surpreendente.
A montagem Ursa Maior apresenta Noite Feliz... minha peça kkkk mas é verdade, a Luz ficou maravilhosa!
Cite um ator/atriz que surpreendeu suas expectativas.
Aurelia Thierrée, e isso que eu fui com expectativas altíssimas por ser neta de Chaplin. E um ator que superou minhas expectativas, mas no cinema, foi o James Franco, ele é um pesquisador e um acadêmico... raro em Hollywood kkk e tenho visto uns vídeos experimentais dele, uns curtas... estou adorando.
O que não é teatro?
Contabilidade... ué... tanta coisa pode não ser teatro. Poderia escrever páginas falando rsrs.  É mais fácil eu ver algo e falar... ISSO p/ mim É TEATRO! ou ISSO para mim NÃO É TEATRO!
A idéia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Depende, tem que ver o gosto do freguês... rs
Na era da tecnologia, qual o futuro do teatro?
A junção das duas coisas... como já acontece... Pós Modernismo está aí... vamos usar até surgir algo novo!
Em sua biblioteca não podem faltar quais livros/peças?
Meyerhold, Eugênio Barba, Karl Valentin, Peter Brook, Artaud, Grotowsky, Stanislavski, Leccoq, Laban...
Cite um (a) diretor, um (a) autor e um (a) ator que você mais admira.
Eugênio Barba como diretor, o autor Karl Valentin e um ator... Admiro todos meus amigos atores... Eles são os melhores!
Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você conhece.
O Teatro Ouro Verde de Londrina é lindo, enorme e a acústica boa...O ''palco'' da Brasital, São Roque, é enorme, cheio de possibilidades, mas... mas... tem pilares no meio do publico, a acústica é péssima, as janelas dão claridade... não nasceu para ser um palco de teatro, logo, não é um espaço bom... não como palco italiano!
Qual encenação lhe vem à memória agora? Alguma cena específica?
 A que eu assisti ontem, Astros, Patas e Bananas - Katharsis.
O teatro é uma ação política? Por quê?
Pode ser uma ferramenta, pois o teatro forma opiniões, debate temas... mas, não acho saudável  que ele deva ter essa responsabilidade.
Por que você faz teatro na região?
Faço teatro onde posso fazer. Em São Roque eu encontrei essa possibilidade... apesar de fazer em São Paulo também, São Roque precisa dessa movimentação artística.
Algumas palavras sobre o teatro da região.
Acho que estamos vivendo uma virada de página nessa cidade. Sinto que a arte na região está começando a engatinhar e entrar na vida das pessoas, e as pessoas por sua vez, estão com fome de arte... então, vamos alimentá-las e Buon Appetit!
Daniela Oncala na cena de Carta de Amor



Daniela Oncala é Bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina. Sua pesquisa é sobre a Teatralidade, com foco no trabalho do russo Vsévolod Meyerhold. É professora de teatro no Colégio Aliança em Mairinque-SP.
http://www.spescoladeteatro.org.br/


  

sexta-feira, 6 de maio de 2011

SENSO TEATRAL COM RAMON AYRES

A SP Escola de Teatro (link abaixo), tem uma seção chamada Papo de Teatro, que apresenta entrevistas com várias personalidades da área.
Achei interessante promover aqui no Ensaios e Cenas, o mesmo formato dando destaque aos artistas da nossa região.
Inaugurando o espaço,um querido amigo, um brilhante ator, Ramon Ayres...



Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Quando participei de uma aula de teatro pela primeira vez.
Lembra da primeira peça a que assistiu?
Agora não me recordo se foi a peça “Marcelino Pão e Vinho” de Mario Persico ou “Draculinha” de Gil de Camargo.
Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
 “Fragmentos Beckett” de Peter Brook.
Um espetáculo que mudou a sua vida.
“Louise Bourgeois”: faço, desfaço e refaço” de Denise Stoklos.
Você teve algum padrinho no teatro?
 Sim, Flavio Melo e Ingrid Koudela.
Já saiu no meio de um espetáculo?
Não.
Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
 “A LUTA 1” de Ze Celso, pela vivacidade do trabalho.
Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Sim, porque aquilo me comovia.
Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro?
Ariano Suassuna,Samuel Beckett.
Qual companhia brasileira você mais admira?
O Satyrus.
Qual gênero teatral você mais aprecia?
 Teatro Físico.
Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
 Existe peça ruim.
Cite um cenário surpreendente.
Cenário de Marcio Aurelio no espetáculo Agreste.
Cite uma iluminação surpreendente.
Astros, Patas e Bananas de Roberto Gil Camargo.
 Cite um ator/atriz que surpreendeu suas expectativas.
Julio Adrião “A Descoberta das Américas”/Tania Farias espetáculo “kassandra” (Oi Nois Aqui Traveiz).
O que não é teatro?
Tudo aquilo que não é composto pela triade atuante, texto e público; ou também tudo aquilo que não seja o edificio do qual damos o nome TEATRO. 
A idéia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Sim, teatro também é arte.
Na era da tecnologia, qual o futuro do teatro?
Continuar promovendo o encontro.
Em sua biblioteca não podem faltar quais livros/peças?
Não pode faltar Sofocles, Shakespeare, Brecht, Beckett.....a lista e grande.
Cite um (a) diretor, um (a) autor e um (a) ator que você mais admira.
Jerzy Grotowski, Bertold Brecht, Charlie Chaplin.
Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você conhece.
Não entendi a pergunta.
Qual encenação lhe vem à memória agora? Alguma cena específica?
“Hysteria” do grupo xix de teatro, nenhuma cena em particular.
O teatro é uma ação política? Por quê?
Sim. Porque o teatro e uma celebração à vida, logo transforma pessoas, opiniões e ideias.
Por que você faz teatro na região?
Por que era onde meu grupo residia.
Algumas palavras sobre o teatro da região.
Gostaria de destacar o trabalho realizado pelo grupo NATIVOS TERRA RASGADA e pelo grupo KATHARSIS.




RAMON AYRES INTEGROU O GRUPO NATIVOS TERRA RASGADA DURANTE 6 ANOS. GRADUADO NA UNIVERSIDADE DE SOROCABA (UNISO) NO CURSO DE TEATRO/ARTE-EDUCAÇÃO E ATUALMENTE CURSA A INTERNATIONAL SCHOOL of  Corporel Mime em Londres.


http://www.spescoladeteatro.org.br/

quarta-feira, 27 de abril de 2011

TEATRO DE PÁSCOA

Foto: Jennifer Nascimento

O crítico de teatro, ensaísta e professor Jacob Guinsburg define no Dicionário do Teatro Brasileiro, o que se caracteriza como Auto da Paixão: 
"Denominado sucessivamente mistério, auto e drama, a teatralização dos episódios do ministério, do julgamento e do martírio de Cristo é, desde o século XIV, revivida durante o tempo litúrgico da Quaresma. Na relação de obras do teatro jesuítico do século XVI, predominam os motivos hagiográficos (vida de santos) e representações associadas à Igreja triunfante, em razão do empenho sedutor da catequese. O assunto do sacrifício de Cristo, solene e contaminado de tragicidade, expressa-se com maior frequência pela forma processional durante os séculos XVII e XVIII nos aldeamentos e pequenas cidades onde a população desempenha os papéis dessa cena magna do Jesus até o Calvário, é revivida até hoje em todo o país, sendo uma das últimas manifestações do teatro católico ritual".
Em São Roque, falta-me precisão pra informar quantos anos essa manifestação faz parte do ideário da população, com certeza, posso afirmar que é um dos eventos mais importantes da cidade. 
Eu, como público, assisti por duas ou três vezes a encenação em anos passados e no último dia 22, fui uma expectante do Teatro de Páscoa, dirigido por Amanda Sobral com cenografia e figurino de Marco Lessa, que assumiram a responsabilidade de dar continuidade a tradição.
Por sua importância secular no Brasil (uma herança dos colonizadores portugueses) e na cidade, é no mínimo corajosa, a renovação trazida à cena pela direção: 
  • por propor uma "explosão" do espaço (vários espaços da Brasital foram "revisitados"); 
  • por trazer uma proposta artística (e não somente religiosa), 
  • por apresentar concepções ousadas com relação aos figurinos (com vários elementos pagãos), 
  • pela "leitura" do texto (na forma poética dos escritos sagrados), enfim...
Por ter sido testemunha de em espetáculo artístico, caberia críticas mais pontuais, mas isso eu deixo para o ano que vem, quando mais amadurecida pela primeira experiência, a direção saberá contornar os percalços.
O que preciso e devo apontar, por atualmente fazer parte da cena teatral da cidade, é a alegria de ver uma Cultura pulsante. 
Estavam reunidos no Teatro de Páscoa o Grupo Autônomos, a CiadeEros, a Cia de Dança Nó de Nós, o Circo Utopia e alunos do Projeto Guri, além dos "colaboradores" de muitos anos da comunidade. 
Quero afirmar com esse dado que a Páscoa representa, esperança, renovação, ressurreição do amor, da amizade, da alegria de estarmos vivos, então, o Teatro de Páscoa cumpriu com "boniteza" (como diria Paulo Freire) sua missão.


PS: Agradecimentos ao Rodrigo Boccato, Chefe da Divisão de Cultura de São Roque, por sonhar com a gente os nossos sonhos...    
        

quarta-feira, 6 de abril de 2011

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO CIAdeEROS

Foto: Lélis Andrade

Nesta semana a CIAdeEROS comemora seu primeiro aniversário como grupo. Alguns já estão juntos desde janeiro/2010, quando nos reunimos para uma Oficina de Teatro, mas oficialmente a data de criação da companhia foi no dia 09/04/2010.
Como nossa história começou com gesto e poesia, dedico-lhes o sexto poema de "Chuva Oblíqua" de Fernando Pessoa.
O maestro sacode a batuta,
A lânguida e triste a música rompe...
Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé dum muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar de um cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo...

Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...

Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)

Atiro-a de encontro à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
 E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal...E a música atira com bolas
À minha infância...E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos...

Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...

E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há árvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde a comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância...

E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,

Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...

Para André, Beatriz, Carolina, Daniela, Fabrício, Gabrielle, Joaquim, Karina, Matheus, Mayara, Rafaela, Renan, Rodolpho e Thais...

quarta-feira, 30 de março de 2011

PRÊT-À-PORTER 10

No último sábado (26) fui assistir as performances dos atores e atrizes do CPT - Centro de Pesquisa Teatral do SESC. 
Para quem não sabe, o CPT é reconhecido como um dos principais espaços de experimentação em teatro no país.Coordenado por Antunes Filho,cujo método de trabalho é reconhecido tanto pelo seu rigor técnico quanto pelos seus pressupostos humanísticos, tem como objetivo principal a pesquisa de novos textos, linguagens e configurações cênicas.
As performances Prêt-à-Porter expõe a síntese do método para o ator desenvolvido por Antunes, por meio da apresentação de cenas naturalistas. São cenas totalmente criadas pelos atores, que se encarregam de encontrar o tema, desenvolvê-lo através de improvisações, realizar a dramaturgia e se auto-dirigir.
"As cenas, os atores, deveriam ter em mente um sentido franciscano, minimalista (as cenas quase sempre vazias, sem nada, só com os elementos que fossem realmente necessários e correlatos à ação), fugindo a poluição visual da sociedade do espetáculo - isso já como uma permanente filosofia em quase tudo que o grupo encena. Procuramos resgatar muitas e muitas significações já quase esquecidas nos seres humanos de hoje: a sensibilidade, o sentimento, o paciente fazer do homem, o gesto perdido, a palavra esquecida, o encontro fortuito - simples e significativo, coisas que o homem traz dentro de si. Tudo isso está se tornando, para nossa infelicidade, sopro de coisas deixadas, voláteis, por causa da violência dos tempos em que vivemos.", nas palavras de Antunes.
Para nós, "gente de teatro", presenciar essas performances é uma experiência rica em aprendizado e um estímulo a mais para continuar trabalhando e estudando muito. 
Para mim, a atuação de Marcos de Andrade em "O homem das viagens" (uma das três performances) ficará gravada em minha memória para sempre... 


Foto
Adorável Callas

sábado, 26 de março de 2011

FESPIMA 25/03/2011

EDUARDO BARROS
TOM RAVAZOLLI
JOAQUIM MARQUÊS



AMILTON CARVALHO
RODOLPHO HEINZ
OUTROLUIZ
GIOVANI HUGGLER



PRIMEIRA NOITE FESPIMA 2011


Abrem-se as cortinas e vemos Giovani Huggler (com a potencialidade ator que eu sempre disse pertencer a ele...) e nos emociona com seu corpo carregado da memória teatral mairinquense. Beija o palco e seus gestos conduzem nosso olhar para um pequeno retrato colocado numa das paredes do teatro, cuja luz não acendeu, para que pudessemos apreciar a face risonha de um homem chamado Alfredo Ercolano Giuseppe Bertolini, presente nessa noite na abertura do Fespima 2011, através do corpo de Giovani.  Tio Beppe foi o precursor da arte teatral na cidade lá pelos idos do começo do século 20, cuja biografia sou a feliz detentora, por tê-la realizado na conclusão da minha licenciatura em História.
Na sequencia assistimos “La Vie” de Outroluiz, outro orgulho mairinquense, por estar devolvendo ao palco da cidade, algo que lhe foi dado através dessa história iniciada por Tio Beppe.
A seguir a voz de Elis Regina e um corpo lindo dança, tão lindo quanto a voz da outra...Esse corpo é de Eduardo Barros que movimenta-se diante de um porta-retrato, cujas linhas retangulares “frias” ganham contornos “quentes” por contracenar com as linhas do corpo de Dú.
Rodolpho Heinz entra em seguida com seu destemor característico. Fui a responsável por dar-lhe uma incumbência nada fácil: tratar da solidão pelas palavras de Leo Ferré/Roberto Freire (duas figuras nada simples de se compreender). Freire, um grande anarquista, dizia já ter vivido todas as formas possíveis da solidão, da mais criativa e alegre à mais miserável e trágica e que nada poderia ser mais solitário que um homem morto e é nessa solidão que Roberto Freire está.
Alguém já disse que a arte possibilita o desenvolvimento e a educação dos sentimentos e desenvolve e educa os pensamentos, assim penso que continuando na trilha do teatro, Amilton Carvalho, nos brindará no futuro com belas interpretações.
Ontem, não pude, por estar operando o som, desfrutar da fábula de José Saramago pela voz e corpo de Joaquim Marquês. Mas, no nosso último ensaio, tive o privilégio dessa emoção.
Nossos corações enlutados pela perda de dois lusitanos: meu escritor preferido e o pai de Juh, se uniram para brindar com uma platéia emocionada e comprovar as palavras de Dario Fô: “um homem só morre quando é esquecido pela comunidade”.
Tivemos ainda, os devaneios de Taís Dantas e pra fechar o ciclo, outra cria da casa, Tom Ravazolli, devolvendo ao palco da cidade, algo que lhe foi dado através de uma história que Tio Beppe começou a contar.
E que nós continuaremos contando...
Meus agradecimentos para:
Giovani, pela noite..
Dani Oncala, pela mediação
Gayby Pinho, nossa linda maquiadora e contra-regra  
Biah Marques pelo registro fotográfico 
CiadeEros, pela presença e...
Marco Lessa pela montagem do castelo e pela emoção do Café...