quinta-feira, 12 de abril de 2012
TEATRO DE PÁSCOA
"Revestir a ideia de uma forma sensível é a nova proposta".
A frase acima é uma declaração do Manifesto Simbolista de 1886, quando poetas precursores do movimento, entre eles Baudelaire e Mallarmé, opunham-se ao cientificismo decorrente da Revolução Industrial. O homem passara a ser explicado pela fisiologia e pelo meio, originando uma arte pretensamente objetiva que impediria a criatividade e a sensibilidade do artista no Naturalismo.
Mallarmé sonhava com um teatro maravilhosamente realista da nossa imaginação, Baudelaire falava da floresta de símbolos, Valéry dizia que a bela palavra precisava recuperar da música aquilo que lhe pertencia de direito.
Mallarmé sonhava com um teatro maravilhosamente realista da nossa imaginação, Baudelaire falava da floresta de símbolos, Valéry dizia que a bela palavra precisava recuperar da música aquilo que lhe pertencia de direito.
Assim, os poetas simbolistas trouxeram a proposta de sugerir, não nomear o objeto, pela musicalidade da linguagem e pela busca das correspondências entre o mundo natural e o espiritual. A dramaturgia decorrente distinguiu-se pela atmosfera de sugestão e irrealidade, pela atemporalidade do espaço e do tempo, pela recusa de um desenho psicológico preciso das personagens. A luz adquiriu uma função importante, e a palavra encontrou auxílio na música e na dança.
Mas o que todo esse saber enciclopédico tem a ver com o Teatro de Páscoa 2012, objeto de minhas reflexões neste artigo?
Sou licenciada em História, e, faz parte do meu ofício traçar paralelos entre o passado e o presente. Correndo o risco de ser pretensiosa, posso afirmar que está acontecendo SIM, um movimento "novo" na cidade de São Roque no que tange os aspectos artísticos/culturais e o "Teatro de Páscoa" é uma prova disso.
Movimento, pela definição no dicionário é agitação, atividade (artística, política, filosófica etc.) promovida por um grupo de pessoas.
O movimento de que trato aqui, já esclareço, não começou agora, o que de diferente acontece atualmente é que existe a união de artistas que; fazendo o paralelo com o Movimento Simbolista tratado inicialmente, opõe-se ao tecnicismo do homem atual e tem como proposta revestir ideias de formas sensíveis.
Fonte: Berthold, Guinsburg...
Fonte: Berthold, Guinsburg...
terça-feira, 3 de abril de 2012
TEATRO DE PÁSCOA
"A história contida na Bíblia reflete a de todos os tempos."
Mais um ano do esforço coletivo para a realização do que podemos afirmar ser a mais tradicional manifestação artística/cultural da cidade de São Roque."Historicamente, o teatro religioso teria nascido, já no século IX, a partir do canto do Alleluia, que, nas festas litúrgicas, era adornado com músicas e letras distintas, dando origem aos tropos – pequenos textos recitativos destinados ao coro, quase sempre sob a forma de diálogos. Com a evolução destes, pela incorporação de novas personagens e formas alheias à liturgia, a representação dramática acaba por sair do coro." (Artioli)
A multiplicidade de acontecimentos que compõe a história bíblica, permite que cada autoria crie um espetáculo em que podem estar presentes tanto o solene, quanto o rústico, embora sua essência seja religiosa.
Ao dramatizar as narrativas das Escrituras, cada autor pode "colorir" personagens ou episódios, enfatizar um acontecimento apenas mencionado na Bíblia, outras vezes conferindo às personagens uma expressividade distinta da que se apresenta nela. Aí está a riqueza dos sentidos da Bíblia, que embora cristalizados pela tradição cristã, são passíveis de atualizações.
Ao dramatizar as narrativas das Escrituras, cada autor pode "colorir" personagens ou episódios, enfatizar um acontecimento apenas mencionado na Bíblia, outras vezes conferindo às personagens uma expressividade distinta da que se apresenta nela. Aí está a riqueza dos sentidos da Bíblia, que embora cristalizados pela tradição cristã, são passíveis de atualizações.
Assim, o foco do "Teatro de Páscoa" deste ano, tem o objetivo de transpor para o palco elementos extraídos da tradição litúrgica, apresentados artisticamente e na tentativa de uma forma inovadora.
Num momento em que os grupos, tanto apoiados pela Cultura, como pela Educação, tentam fortalecer a arte teatral na cidade, o "Teatro de Páscoa", com certeza, contribuirá para um avanço deste movimento importante para a Arte em São Roque.
TEATRO DE PÁSCOA 2012
Direção: Amanda Sobral
Produtora: D'aísa Produções Culturais
Produção Elenco: Lisa Camargo
Figurinos: Marco Lessa
Trilha Sonora: João Bid
Assessoria Imprensa: Mário Barroso
Elenco: Amanda Sobral; Ana Claudia Oliveira; Alexandre Viana; Carolina Vilaça; Daniela Campos; Daniela Oncala; Dmitri Patrizio; Eduardo Barros; Geovana Pedroni; João Mendes; Larissa Pedroni; Marcos Noggerini; Michael Albuquerque; Natã Borges; Patrícia Alves; Renan Martins; Samir Jaime; Tiago Prado; Tom Ravazoli e Vitor Henrique.
UMA REALIZAÇÃO DA DIVISÃO DE CULTURA DA PREFEITURA DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE SÃO ROQUE
sexta-feira, 23 de março de 2012
"DITINHO CURADÔ" NA PROGRAMAÇÃO DO FESPIMA
O Festival de Performance Individual de Mairinque (FESPIMA) em sua sexta edição convida o grupo Nativos Terra Rasgada de Sorocaba com a peça "Ditinho Curadô", a comemorar mais um ano de existência desse festival idealizado pelo professor Giovani Huggler.
Excepcionalmente, não teremos este ano, as apresentações individuais de artistas da região, por causa desse "mardito" tempo que nos faltou para a organização, já que felizmente, eu e Giovani, estamos ambos envolvidos com o teatro da Páscoa (eu por São Roque e Huggler por Mairinque).
Assim, nossos parceiros de longa data, o Nativos, ocupará o espaço do CEMEC no próximo domingo (25) às 17 horas, para marcar a passagem de mais um ano de FESPIMA.
Sinopse: A peça conta a historia de Ditinho, o retrato de um costumeiro caipira, que foi agraciado com o dom de falar com santos através de fitas da Bandeira do Divino. Deste dia em diante Ditinho resolve ser o interlocutor dos humanos com os santos. Entre uma consulta e outra torna-se conhecido e requisitado, o que o leva a melhorar de vida. Dito acaba se envolvendo em grandes confusões por conta de seu "dom", o que o coloca frente a frente com seus próprios problemas, transformando drasticamente a vida pacata desse pobre caipira.Para quem não sabe ainda, é motivo de muito orgulho pra mim, avisar meus caros leitores, que este espetáculo rendeu ao NATIVOS a indicação ao Prêmio CPT (Cooperativa Paulista de Teatro) no quesito melhor trabalho apresentado no interior e litoral paulista em sala convencional, rua ou espaço não convencional. Orgulhosa também, pela base deste trabalho (texto original) ser de autoria de João Bid e da direção ser de um dos nossos "filhotes" Tom Ravazoli.
Nos encontramos então, no domingo, para uma grande confraternização da classe teatral da região.
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| Foto de apresentação em Boituva. Em destaque: João Mendes e Isabela Felipe |
sábado, 25 de fevereiro de 2012
CIAdeEROS apresenta...
"ERA MAIS UMA VEZ..."
ESTRELANDO...
ESTRELANDO...
- ANDRÉ NOGGERINI de RECRUTA 1 PARA MINISTRO DA ECONOMIA PELA USP...
- CAROLINA GARCIA de MARIA NINGUÉM PARA ENGENHEIRA DE LEGOS PELA FACENS...
- GABRIELE PINHO DE SICRANA PARA COMUNICADORA DE MÍDIAS INTERSEXUAIS PELO CEUNSP...
- JENNIFER NASCIMENTO DE MOCINHA SALMÃO PARA PSICOLOGIA NA UNESP (ASSIS)
- JOAQUIM MARQUÊS de TENENTE PARA ATOR "DOADO" PARA UNIVERSIDADE TCHÊ DO SUL...
- MAYARA LEITE de MOCINHA CANTANTE PARA PEDAGOGA (SÃO ROQUE)...
- MATHEUS PEZZOTA DE ALGUÉM DO TEATRO PARA ALGUÉM DA MÚSICA PELA UNESP (SP).
- THAÍS AMPARO DE MOCINHA AZUL PARA RELAÇÕES INTERSEXUAIS PELA UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI (SP)...
Que a companhia de EROS continue abençoando meus queridos aprendizes de atores do palco e da vida!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
"NOSSO QUINTAL"
Tendo a Brasital como cenário, a CIAdeEROS, GRUPO AUTÔNOMOS e mais artistas convidados, recepcionaram os professores da Rede Municipal de Educação de São Roque, ao longo da manhã de segunda-feira (30), para a aula inaugural de 2012.
Explorando diversos espaços da Brasital, provocando um olhar diferente do cotidiano para esse "quintal" da cidade e com inspiração nos antigos operários da tecelagem, os artistas apresentaram um importante documento imaterial de valor cultural, histórico e cognitivo. Acompanhem nosso roteiro...
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| As Espuladeiras Ana Claudia, Day Canavesi, Gabriele Pinho, Jennifer Nascimento, Mayara Leite e Thaís Amparo (CiadeEros). Ator convidado: Tom Ravazoli |
"Desperta, levanta às cinco e fica logo esperta. Se faz bonita, prepara a marmita, pega a sombrinha e vai trabalhar..." (Edson D'Aísa)
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| As Tecelãs Amanda Sobral e Daniela Oncala (Grupo Autônomos). Atriz convidada: Carolina Villaça "É preciso mais de um olhar para tecer um poema..." (Úrsula Avner) |
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| O Contra-Mestre Ator convidado: Lélis Andrade |
"Ele perdia-se em que hora soaria o apito da fábrica
Sabia sim quantos segundos ele iria durar." (Luís Carlos Oliveira)
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| A Linha Daniela Campos (CiadeEros) |
"É a sua vida que eu quero bordar na minha..." (Gilberto Gil)
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| O Linho Matheus Pezzota (CiadeEros) |
"Você a linha e eu o linho, nosso amor..." (Gilberto Gil)
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| Sala dos Teares Elenco com André Nogerini, Itamar Spira e Renan Martins (CiadeEros) |
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| Edson D'Aisa e João Bid "Lá vou eu aqui de novo. Pra falar do meu quintal. Do berço que embala meu canto, da minha raiz cultural..." (João Bid) |
O evento teve a participação de um dos maiores violeiros do Brasil, o músico e escritor Paulo Freire que, em acordes ou em letras, sempre assumiu o seu papel na divulgação e consolidação da cultura brasileira.
Paulo Freire convidou o público presente a resgatar suas próprias raízes com o show que teve como tema a sua sétima obra literária, “Jurupari”.
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| Paulo Freire |
O evento foi uma realização da D’aísa Produções Culturais, produtora que tem por princípio, a valorização e manutenção da identidade de nossa comunidade.
Os figurinos de Marco Lessa do Autônomos e as fotos de Mário Barroso.
Os figurinos de Marco Lessa do Autônomos e as fotos de Mário Barroso.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
MOÇÃO DE CONGRATULAÇÕES PARA CIAdeEROS
A CIAdeEROS através de uma indicação do vereador Rodrigo Nunes de Oliveira, recebeu uma Moção de Congratulações da Câmara Municipal da Estância Turística de São Roque, em razão dos relevantes serviços prestados em favor da Cultura do município.
Apresento abaixo a íntegra do documento assinado pelo vereador.
Excelentíssimo Senhor Presidente,
O Grupo de Teatro CiadeEros da oficina de teatro da Divisão de Cultura da nossa cidade tem se destacado no cenário regional através de apresentações muito elogiadas pela crítica especializada.
Recentemente o grupo teatral participou do FESTIVAL LIVRE DE TEATRO DE SOROCABA (FLITS), mostra organizada pela Associação Teatral Sorocabana (ATS) e do 10° FESTIVAL DE TEATRO ESTUDANTIL SESI DE SOROCABA, onde representou São Roque, recebendo ótimas críticas do júri popular, do júri técnico e sagrando-se o grande vencedor deste último.
No 10° Festival de Teatro Estudantil Sesi Sorocaba a CiadeEros também recebeu os prêmios de Melhor Espetáculo Júri Popular, Melhor Espetáculo Júri Técnico, Ator Coadjuvante: Rodolpho Heinz, Atriz Coadjuvante: Daniela Campos, Figurino: Marcos Lessa, Maquiagem: Gabriele Pinho, além das indicações de Melhor Sonoplastia: Matheus Pezzotta, Melhor Atriz: Gabriele Pinho, Ator Revelação: Renan Martins e Direção: Lisa Camargo.
Entre as diversas manifestações artísticas da nossa cidade, o fato acima referido nos dá conta que o teatro vive um momento de grande expressão, desde que apoiada por todas as esferas da Administração Pública, pode ser um importantíssimo instrumento de disseminação de cultura em nosso Município.
O Teatro pode despertar na plateia a curiosidade necessária para fomentar a aprendizagem e o diálogo necessário à construção do conhecimento, criando nas pessoas uma consciência crítica da realidade, o que é imprescindível para a construção da cidadania.
Segundo o escritor francês René Huyghe:
"...a arte tem o poder de mudar, modificar a vida manifestando a nossa cultura e despertando os sentimentos mais variados. Desde sempre, a arte surge como uma constante da atividade humana, participando no mundo dos sentimentos e pensamentos do criador e no contexto sociocultural a que este pertence. Mas sua função essencial, a sua constante, é ser, desde a origem, um meio de expressão do homem".
É importante lembrar que a CiadeEros, que é dirigida pela competente Lisa Camargo, apesar de apresentar um trabalho maduro, é formada por uma bela safra de jovens talentos, que tem entre 14 e 21 anos de idade, e ensaiam em uma pequena sala nas dependências da Brasital cedida pelo Chefe da Divisão de Cultura do Município, Sr. Rodrigo Boccato.
Entretanto, muito provavelmente a Cia se desfaça no final deste ano, pois os jovens que escolheram continuar no caminho da arte buscarão espaço em locais que ofereçam melhores condições de trabalho.
Desta maneira, mais do que homenagear o grupo teatral, devemos cobrar o Chefe do Poder Executivo Municipal, buscando o aprimoramento das políticas públicas que incentivem a formação de mais e mais companhias de teatro, proporcionando condições de que as pessoas possam oferecer o que não tem sido muito valorizado em nosso País: entretenimento cultural.
Ante o exposto, RODRIGO NUNES DE OLIVEIRA, Vereador da Câmara Municipal da Estância Turística de São Roque, REQUER ao Egrégio Plenário para que faça constar na Ata da presente Sessão, Moção de Congratulações à
Que da presente seja dada ciência à Diretora da CiadeEros e ao Chefe da Divisão de Cultura do Município.
Sala de Sessões "Dr. Júlio Arantes de Freitas", 20 de setembro de 2011.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
APRESENTAÇÃO DA MORTE DE MANÉ BUFÃO NO NOSTRA-VILLA 11/12/2011
Declaração do Riso da Terra
Quando os deuses se encontraram,
E riram pela primeira vez,
Eles criaram os planetas, o dia e a noite.
Quando riram pela segunda vez,
Criaram as plantas, os bichos e os homens.
Quando gargalharam pela última vez,
Eles criaram a alma.
(De um papiro egípcio)
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| Beatriz Costa - Dona Morte |
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| Lélis Andrade - Briguella |
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| Dayane Canavesi - Dona Ragonda |
terça-feira, 29 de novembro de 2011
BELA MÚSICA EM VOLUME IDEAL
Espetáculo: Ditinho Curadô
Grupo: Grupo Teatral Nativos Terra Rasgada (Sorocaba – SP)
Boulevard São João, 23 de novembro de 2011.
Leitura crítica de José Cetra Filho
Dois anos se passaram desde a apresentação de Zorobe pelo grupo de Sorocaba na Mostra de Teatro de Rua Lino Rojas. Na ocasião apontei alguns problemas na encenação sendo que o principal era certa timidez que envolvia todo o espetáculo, o que me levou a metaforizar que eles tocavam uma bela música em volume muito baixo.
Fiquei muito feliz em assistir ao novo trabalho do grupo e constatar que aquela timidez transformou-se em ousadia e criatividade, elevando o volume de sua música a um nível ideal.
Apoiado num texto de João Bid que tem boa estrutura dramatúrgica além de uma história para contar, o grupo realizou um espetáculo gostoso de ver, sem abrir mão de mostrar certas mazelas da sociedade brasileira.
A história é muito simples: Ditinho, um pobre diabo, mas muito esperto, recebe o dom de se comunicar com os santos e pedir a interferência dos mesmos na resolução dos problemas das pessoas. A partir daí começa a romaria dos necessitados: Mané desempregado, Dirce que tem problema de alagamento no barraco onde mora, um pai cujo filho está muito doente e assim por diante. Ditinho vê aí a oportunidade de tirar algum proveito da situação. Surge então um deputado para fazer uso do prestígio de Ditinho junto ao povo na campanha para eleição do prefeito da cidade. Aos poucos as estratégias e os milagres vão minguando, Ditinho é abandonado por todos e acaba totalmente só.
Como se vê o conteúdo da peça é bastante interessante e oportuno para o momento brasileiro; quanto à forma o diretor Tom Ravazoli optou por algo divertido de se ver, bem apropriado para a necessária rápida absorção do público de rua, mas sem abdicar da denúncia social e do amargo final da história. As confusões dos filhos Pedrinho e Rosinha, assim como, as peripécias de Ditinho para falar com os santos rendem boas gargalhadas e fui testemunha do riso aberto de gente simples que assistia à encenação. Outro ponto importante foi o grau de retenção do espetáculo: muita gente chegou após o início, mas pouquíssimos foram embora antes do término.
Várias pessoas se manifestaram durante a apresentação, entre elas uma senhora simples conclamando a saída do prefeito Kassab e um rapaz (que acabou fazendo um longo discurso após o término da peça) que “cantou” uma espécie de lamento durante o monólogo final de Ditinho. Esses são exemplos contundentes da comunicação do espetáculo com o público a que ele se destina. A encenação estimula essa participação no momento em que coloca os atores no meio do público para questionar as atitudes de Ditinho.
Por último, mas não menos importante, o trabalho do elenco. Rodrigo Zanetti dá um verdadeiro show na pele do Ditinho e praticamente não sai de cena durante todo o espetáculo: matreiro, ingênuo, humano, solidário, mas também oportunista, Rodrigo consegue mostrar todas essas facetas da personagem de maneira muito apropriada. João Mendes tem um timing excelente de comédia e faz um adorável Pedrinho, o mesmo podendo se dizer de Isabella Felipe como a brejeira Rosinha, que tem um momento delicioso vendendo doces para o público. Stefany Cristiny, que substituiu Carol Campos na apresentação em São Paulo, não parece uma substituta, pois domina muito bem o papel da mãe e de Mariazinha, a menina que vem pedir ao santo para não ir mais à escola. Finalmente, Flavio Melo se encarrega de vários papeis além de tocar alguns instrumentos, seu maior destaque aparece na pele do corrupto deputado. Em resumo, um elenco afiado que soube dar vida ao texto e que demonstra uma evolução bastante apreciável. Como espectador e amante de teatro, sinto-me feliz e estimulado ao ver o progresso do simpático grupo de Sorocaba.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
PARA DANIELA CAMPOS
Paulo Leminsk
"AI DAQUELES..."
ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga
ai daqueles que se amaram
sem saber que é amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
não porque não tem asa
Obrigada Dani, pela bela composição para a Totonha.
A CiadeEros te deseja toda sorte em novas criações...
A CiadeEros te deseja toda sorte em novas criações...
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
A MORTE DE MANÉ BUFÃO
"Considerando o rosto como espelho da alma, sede privilegiada da expressão humana, a máscara, nesse sentido, é um meio de identificação da personalidade, que revela as características interiores." (Amleto Sartori)
Se o teatro contemporâneo afirma cada vez mais a autonomia criativa do ator e a exploração de novos espaços cênicos, então, essas metas começam a ser perseguidas pela coordenação do trabalho da CiadeEros.
Encontramos na comédia italiana uma fonte prazerosa de estudos e prática. Recorremos ao uso de máscaras do tipo usado na commedia dell'arte (gênero iniciado no século XVI na Itália), para aprimorar o jogo corporal e vocal e ampliar a capacidade de improvisação dos integrantes da cia.
Com os auxílios luxuosos de Daniela Oncala que dividiu seus conhecimentos na confecção das máscaras e de Lélis Andrade que trabalhou com o grupo na preparação corporal e divide comigo a direção, o novo trabalho da CiadeEros fará sua estreia amanhã (11) no II Festival de Teatro Estudantil Vasco Barioni, que tem a coordenação de Amanda Sobral.
O grupo utiliza como texto base A Morte do Mané Bufão, de domínio público, baseado no Auto do Tranca Ruas de Tarso de Castro, que por sua vez, baseia-se no teatro do mamulengo (teatro de bonecos do Pernambuco).
Portanto, a aproximação com as máscaras italianas que fixa tipos, que é universal, junta-se nessa montagem ao que é provinciano, no sentido de termos trazido para o ambiente caipira uma tradição da cultura nordestina, ou seja, busca-se um resultado inteiramente brasileiro.
Resumindo: o que se procura, além de um crescimento artístico e pessoal para os integrantes da cia é também uma experiência de apresentação em espaços dos mais variados, desde o tradicional palco à italiana (do qual carece a cidade de São Roque) até os espaços alternativos (do qual é pródiga a cidade de São Roque).
Com esse trabalho, pretendemos abrir mais um espaço de apresentações na Brasital: uma praça linda atrás da Biblioteca, a qual apelidei de "Praça do Saci", já que tem lá um mosaico lindo dessa figura extraordinária da nossa cultura.
Mané que dá nome ao espetáculo é o tipo preguiçoso, dono de fantástica prodigalidade na invenção de desculpas para não trabalhar.
Totonha, mulher de Mané, tão esperta quanto ele, se verá frente a frente com a Morte e colocará em xeque o destino do marido e decidirá o curso dessa estória.
Sendo a máscara, a principal atenção da pesquisa do grupo, são elas determinantes para toda a movimentação cênica, dadas a partir das máscaras de: Arlequim, Briguela, Capitão, Pantaleão e Ragonda .
É uma mistura complicada de se entender?..
Então, assistam a Morte de Mané Bufão e a CiadeEros tentará explicar...Capice?
Elenco:
MANÉ BUFÃO: Renan Martins
TOTONHA: Daniela Campos
ARLEQUIM: Beatriz Nascimento
BRIGUELA: Rodolpho Heinz/Lélis Andrade
CAPITÃO: Ana Claudia Oliveira
PANTALEÃO: Itamar Spira
RAGONDA: Dayane Canavezi
APOIO: DIVISÃO DE CULTURA DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE SÃO ROQUE
Agenda:
Dia 11/11/2011 = Emef Barão de Piratininga às 20 horas
Dia 13/11/2011 = "Praça do Saci" na Brasital às 18 horas
Encontramos na comédia italiana uma fonte prazerosa de estudos e prática. Recorremos ao uso de máscaras do tipo usado na commedia dell'arte (gênero iniciado no século XVI na Itália), para aprimorar o jogo corporal e vocal e ampliar a capacidade de improvisação dos integrantes da cia.
Com os auxílios luxuosos de Daniela Oncala que dividiu seus conhecimentos na confecção das máscaras e de Lélis Andrade que trabalhou com o grupo na preparação corporal e divide comigo a direção, o novo trabalho da CiadeEros fará sua estreia amanhã (11) no II Festival de Teatro Estudantil Vasco Barioni, que tem a coordenação de Amanda Sobral.
O grupo utiliza como texto base A Morte do Mané Bufão, de domínio público, baseado no Auto do Tranca Ruas de Tarso de Castro, que por sua vez, baseia-se no teatro do mamulengo (teatro de bonecos do Pernambuco).
Portanto, a aproximação com as máscaras italianas que fixa tipos, que é universal, junta-se nessa montagem ao que é provinciano, no sentido de termos trazido para o ambiente caipira uma tradição da cultura nordestina, ou seja, busca-se um resultado inteiramente brasileiro.
Resumindo: o que se procura, além de um crescimento artístico e pessoal para os integrantes da cia é também uma experiência de apresentação em espaços dos mais variados, desde o tradicional palco à italiana (do qual carece a cidade de São Roque) até os espaços alternativos (do qual é pródiga a cidade de São Roque).
Com esse trabalho, pretendemos abrir mais um espaço de apresentações na Brasital: uma praça linda atrás da Biblioteca, a qual apelidei de "Praça do Saci", já que tem lá um mosaico lindo dessa figura extraordinária da nossa cultura.
Mané que dá nome ao espetáculo é o tipo preguiçoso, dono de fantástica prodigalidade na invenção de desculpas para não trabalhar.
Totonha, mulher de Mané, tão esperta quanto ele, se verá frente a frente com a Morte e colocará em xeque o destino do marido e decidirá o curso dessa estória.
Sendo a máscara, a principal atenção da pesquisa do grupo, são elas determinantes para toda a movimentação cênica, dadas a partir das máscaras de: Arlequim, Briguela, Capitão, Pantaleão e Ragonda .
É uma mistura complicada de se entender?..
Então, assistam a Morte de Mané Bufão e a CiadeEros tentará explicar...Capice?
Elenco:
MANÉ BUFÃO: Renan Martins
TOTONHA: Daniela Campos
ARLEQUIM: Beatriz Nascimento
BRIGUELA: Rodolpho Heinz/Lélis Andrade
CAPITÃO: Ana Claudia Oliveira
PANTALEÃO: Itamar Spira
RAGONDA: Dayane Canavezi
APOIO: DIVISÃO DE CULTURA DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE SÃO ROQUE
Agenda:
Dia 11/11/2011 = Emef Barão de Piratininga às 20 horas
Dia 13/11/2011 = "Praça do Saci" na Brasital às 18 horas
domingo, 30 de outubro de 2011
SENSO TEATRAL COM DOUGLAS EMILIO
A SP Escola de Teatro (link abaixo), tem uma seção chamada Papo de Teatro, que apresenta entrevistas com várias personalidades da área.
Achei interessante promover aqui no Ensaios e Cenas, o mesmo formato dando destaque aos artistas da nossa região.
O convidado agora é Douglas Emilio, integrante do Grupo Katharsis, Companhia de Solistas e Coletivo Nonada.
Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Na verdade surgiu a princípio pela dança, mas não sei dizer ao certo o que faz um garoto de 9 anos se interessar por Ballet Clássico, em todo caso me envolvi, depois de um certo tempo tive a necessidade de experimentar e me expressar de outras formas. Foi aos 13 anos que entrei para fazer teatro, mas o amor pelo teatro aconteceu aos poucos, é como estar com alguém, primeiro você conhece, experimenta bastante, apresenta aos pais e aos amigos, quando acontece uma crise (por alguma razão), você precisa escolher se separar ou não, é exatamente nesse momento que o amor te toma por completo, percebe que não irá conseguir viver mais longe. (risos)
Lembra da primeira peça a que assistiu?
Sim! Foi “Pluft o fantasminha” de Maria Clara Machado. Nossa! Ninguém nunca me fez essa pergunta, fiquei até em duvida por um tempo. Pode ter sido o “Avarento” de Molière, uma das duas.
Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
Muitos, mas significantemente “Café Müller” de Pina Bausch, assistia em vídeo, nem sei quantas vezes eu assisti e nem sei quantas vezes ainda continuarei, é um espetáculo poderoso (mesmo em vídeo), quando assisti ao vivo foi uma experiência indescritível.
Um espetáculo que mudou a sua vida.
Como ator e bailarino, tudo que encenei, dancei sempre me modificaram bastante, na verdade se a obra não muda o próprio ator não muda ninguém, não é? Como espectador, todos de Pina Bausch, Cena 11, Grupo Corpo, Quasar, Le Ballet C de lá B, Théâtre du Soleil, Peter Brook, Bob Wilson, Grupo XIX, Grupo Espanca, Antunes Filho, Zé Celso, Galpão, DV8... Obviamente todos sabem que são incríveis... Deixa eu pensar em alguns grupos e diretores menos conhecidos e que foram importantíssimos, “Interior” do Grupo Tusp, “Agreste” dirigido pelo Márcio Aurélio, “Primus” da Boa Companhia, “Aldeotas” dirigido por Cristiane Paoli Quito, acho que também são famosos (risos). Tentando rememorar, acho que foi - sobre todos esses - o “Interior”, estava na adolescência e me ajudou bastante com algumas questões, me lembro que estava lotado o teatro do SESI de Sorocaba, estávamos Eu, Robson Catalunha e Luiz Perino sentados na escada (apertados), morrendo de rir e em outros momentos soluçando de tanto chorar.
Você teve algum padrinho no teatro?
Olha! Tive tanta sorte nessa minha jornada, passei por diretores e professores incríveis que sempre me deram bons conselhos, me apontaram coisas e pessoas importantes, me alertaram de questões que eu ainda nem compreendia, me mostraram caminhos, tiveram paciência, me deram força quando eu mais precisei, seguraram com firmeza as minhas crises de rebeldia, meu ego, minha arrogância, minha falta de grana, minhas desilusões... Depois de um tempo a gente percebe a importância de cada um deles, desde Silvia Nogueira (primeira professora de Ballet Clássico – 1995), até Roberto Gill e Raquel Ornelas (diretores com quem eu trabalho atualmente no Grupo Katharsis e Companhia de Solistas – 2011).
Já saiu no meio de um espetáculo?
Nunca sai, mas já dormi bastante... Atualmente, mesmo não gostando faço de tudo para continuar conectado, sei o que é estar no palco e principalmente sei que a coisa mais importante da minha vida é meu tempo, por isso tenho muito respeito com o tempo em que o artista esta se dedicando para apresentar a obra, sendo ela da qualidade que for.
Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
“SkinnerBox” do Grupo Cena 11, é um espetáculo de dança contemporânea, mais do que o espetáculo é um grupo muito incrível, apresenta um projeto de pesquisa muito avançado em comportamento, condicionamento, composição estética, construção coreográfica que explora as correlações conceituais entre corpo, dança e tecnologia, é difícil dizer sobre o Grupo Cena 11, como é um projeto de pesquisa, eles avançam nas experimentações com grande velocidade, apresentando e ampliando novas esferas da pesquisa, construindo os espetáculos em formatos diferenciados e inéditos.
Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Sim! Coisa boa não é só para uma só vez. Sou muito assim, experimento mudar muito, fazer de outras formas, mas também ouço muito uma mesma música, vejo muitas vezes o mesmo filme, vou atrás muitas vezes do mesmo espetáculo, leio o mesmo livro, tomo sorvete do mesmo sabor, uso o mesmo jeans (do corpo para a lavanderia, da lavanderia para o corpo), nem da tempo de chegar na gaveta, tenho muitas camisetas iguais, pretas sem estampa da Hering. Risos. Gosto e vou muito assistir ao mesmo espetáculo mais de uma vez.
Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? Estrangeiro?
Nossa! Que difícil... Brasileiro acho que Luiz Alberto de Abreu, Ariano Suassuna, João Falcão... Muitos... Estrangeiros, são muitos também, mas é indiscutível a importância de Shakespeare na minha vida.
Qual companhia brasileira você mais admira?
Eu tenho uma tendência de gostar e ir atrás, por esse motivo entrei no Grupo Katharsis, é a companhia que eu mais admiro.
Qual gênero teatral você mais aprecia?
Eu gosto de teatro bom (risos).
Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Temos o costume de separar as coisas para que didaticamente seja mais fácil de compreender, mas as coisas não são separadas, diretor não faz milagre, ator não faz milagre, no teatro não existe milagres, só trabalho/ técnica, estudo/ prazer e disciplina/ paixão. Conjunta.
Cite um cenário surpreendente.
Espetáculo “Ten Chi” - Pina Bausch
Cite uma iluminação surpreendente.
Espetáculo “Quartett” - Robert Wilson
Cite um ator/atriz que surpreendeu suas expectativas.
Denise Stoklos
O que não é teatro?
Terapia.
A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Olha! A pergunta é, tudo é válido na arte? Acredito que quando uma coisa designa muitas outras coisas, ela não designa mais nada, tudo é muita coisa a ser nomeada ou determinada.
Na era da tecnologia, qual o futuro do teatro?
O mesmo. Continuar caminhando junto, nunca estiveram um longe do outro; uma cadeira é uma tecnologia para descanso, se pensarmos sobre isso sempre perceberemos que a evolução é conjunta, mesmo que pensemos em ações grandiosas com a tecnologia, ela nunca assustou o teatro, pelo contrário, vide Deus ex machina origem do teatro grego, máquina de fumaça que nos anos 80 foi uma febre, projeções em telões, em figurinos, encenações por webcan, o próprio teatro é uma tecnologia, esses avanços existem por necessidade, sempre brinco que o cinema 3D está se tornando teatro, a imagem está cada vez mais perto que logo estaremos dentro do filme e quando isso acontecer já terá um nome: teatro. (risos)
Em sua biblioteca não podem faltar quais livros/peças?
A lista seria gigante, mas vou pensar como se eu tivesse apenas uma mala, então eu facilitaria com um livro completo de Anatomia Humana, História da Arte, “Primeiras Estórias” Guimarães Rosa, “Pequeno Príncipe” Antoine de Saint-Exupéry, “Para Alice com amor” José Pacheco (tudo que acredito sobre educação esta contido nesse livro), um livro de poemas de Mario Quintana e outro de contos de Caio Fernando de Abreu.
Cite um (a) diretor, um (a) autor e um (a) ator que você mais admira.
Ariane Mnouchkine, Shakespeare e Meryl Streep.
Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você conhece.
O pior espaço é aquele em que o espetáculo e a encenação não se compactuam. Não existe pior ou melhor, existe proposta estética.
Qual encenação lhe vem à memória agora? Alguma cena específica?
Hum! Isabelle Huppert caminhando lentamente até o fundo do palco (imenso), dizendo seu texto como se estivesse desistido da vida, desistido do amor, enquanto um aquário lentamente entra em cena deslizando pela lateral com dois peixinhos, numa iluminação e numa sonoplastia monstruosamente incrível.
O teatro é uma ação política? Por quê?
Por que continuamos a fazer e discutir teatro? Porque a ideia é a coisa mais poderosa do mundo, comunicar uma ideia é ter a chance de mudança, propor uma ideia é saber que em alguma instância ela irá reverberar no espectador, todo teatro é político, tem o poder de comunicabilidade, uma forma poderosa de propor assuntos de interesse coletivos ou de pequenos grupos, dando a chance de ganhar visibilidade e construir conhecimento para o bem comum de todos.
Por que você faz teatro na região?
Porque é onde moro, não faz sentido algum só propor mudanças para pessoas que eu nem conheço, comunidades que eu não tenho vínculo, cidades nas quais não existe aproximação com a realidade em que vivo. Obviamente que expandir as fronteiras do trabalho é de extrema importância e também saudável, mas achar que encontrará algo diferenciado ou é melhor fazer teatro ali em vez de aqui é pura alienação, não tem nenhum sentido eu me propor fazer um espetáculo para pessoas que moram ou frequentam por exemplo a praça Roosevelt, qual a minha aproximação? Arte para quê? É preciso sempre se perguntar sobre isso, o que você quer atingir? Tem grupos que querem o estrelato em vez de propor pequenas mudanças poéticas na vida das pessoas.
Algumas palavras sobre o teatro da região.
Olha! Para falar a verdade eu conheço pouco a realidade dos grupos aqui de Sorocaba e região, não tenho propriedade para falar, mas sabemos da dificuldade de ter um grupo sem apadrinhamento, o Grupo Katharsis tem a UNISO ajudando nas despesas de espaço e pagamento do excelente diretor Roberto Gill Camargo, a Companhia Clássica tem o Mario Pérsico que é integrante do corpo docente da FUNDEC, Companhia Camarim ensaia no espaço próprio do Hamilton Sbrana onde também funciona uma escola de teatro, mas existem grupos que sobrevivem pagando seu próprio aluguel, é o caso do Grupo Nativos Terra Rasgada dirigido pelo esforçadíssimo e trabalhador Flávio Mello, temos ainda a Trupe Koskovisky que inaugurou um espaço (muito bacana), no qual ministra oficinas e apresentações de espetáculos teatrais, temos a ETAC (Escola Técnica de Arte e Comunicação), dirigida pelo comprometido e amável Tom Barros, no qual são formados muitos alunos que estão “disputando” seu lugar ao sol, propondo formação de grupos e já se apresentam pela cidade, Coletivo Cê que realiza um trabalho primoroso, mas que esta sem sede fixa (agora batalham um espaço em Votorantim), Coletivo Nonada que fez estréia do primeiro espetáculo, vem com um projeto artístico e engajamento político bem forte do qual eu sou integrante, acho que os outros grupos (me desculpem se esqueci de alguém ou se estiver equivocado), estão ainda “flutuando”, atrás de oportunidades de espaços para se firmarem e conseguirem estudar, pesquisar, trabalhar no que se propõem.
http://www.spescoladeteatro.org.br/
http://www.spescoladeteatro.org.br/
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| Douglas Emilio em cena de Astros, Patas e Bananas Grupo Katharsis |
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
PUERIL
“Na verdade, simplesmente os alerto e estimulo a descobrirem coisas que lhe permitem fazer um teatro com sensibilidade, porque o teatro que está sendo feito por aí é um teatro sem sensibilidade, feito na base do muque, da projeção do ego, que é o peito, é a garganta...”
Antunes Filho
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| Foto: Mirna Módolo |
De Stanislaviski à Antunes Filho, passando por centenas de outros teóricos do teatro, a busca pela verdade do ator em cena é uma constante.
Creio que essa busca também seja constante para atores do tipo Daiana Coelho e Douglas Emílio que eu conheço um pouco mais na cena e na vida, estendível a Fabiana Souza e Robson Roso, que começo a conhecer um pouco mais da vida e da cena.
Em tempos em que até o sentido de verdade tem sido relativizado, tenho a opção de entender verdade como aquilo que me afeta como diretora e público de teatro.
Minhas desculpas antecipadas, por escrever agora sobre coisas que vão ser compreendidas apenas por quem assistiu ou assistirá Pueril...
Vou me ater apenas a dois instantes do espetáculo protagonizados por Douglas Emílio: a cabeça do tatu e a espera.
Não estou falando sobre a cena em si, mas de momentos fugidios de algo que me atravessou (pedindo emprestado de um termo usado pelo Rodrigo Scarpeli).
Impermanência...o corpo construído/desconstruído, o gesto feito/desfeito, a pulsação, o lampejo de um sentimento, sei lá...Enfim, impermanência é a palavra que traduz pra mim esses instantes em que o ator consegue afetar o coração do espectador. Mas se não permanece, por que afeta?
Talvez por que essa tal verdade que se busca tanto nessa arte seja mesmo rara, usando de uma imagem, talvez, essa verdade seja uma flecha e o ator tenha que ser um exímio atirador para acertar sempre o alvo.
Creio que essa busca também seja constante para atores do tipo Daiana Coelho e Douglas Emílio que eu conheço um pouco mais na cena e na vida, estendível a Fabiana Souza e Robson Roso, que começo a conhecer um pouco mais da vida e da cena.
Em tempos em que até o sentido de verdade tem sido relativizado, tenho a opção de entender verdade como aquilo que me afeta como diretora e público de teatro.
Minhas desculpas antecipadas, por escrever agora sobre coisas que vão ser compreendidas apenas por quem assistiu ou assistirá Pueril...
Vou me ater apenas a dois instantes do espetáculo protagonizados por Douglas Emílio: a cabeça do tatu e a espera.
Não estou falando sobre a cena em si, mas de momentos fugidios de algo que me atravessou (pedindo emprestado de um termo usado pelo Rodrigo Scarpeli).
Impermanência...o corpo construído/desconstruído, o gesto feito/desfeito, a pulsação, o lampejo de um sentimento, sei lá...Enfim, impermanência é a palavra que traduz pra mim esses instantes em que o ator consegue afetar o coração do espectador. Mas se não permanece, por que afeta?
Talvez por que essa tal verdade que se busca tanto nessa arte seja mesmo rara, usando de uma imagem, talvez, essa verdade seja uma flecha e o ator tenha que ser um exímio atirador para acertar sempre o alvo.
Bem, Pueril pra mim gira em torno da impermanência da vida e da própria arte teatral. E o que mais me saltou os olhos, de forma geral, é que ali existem atores e atrizes que fazem teatro com sensibilidade.
Com vários objetos e sons simples, criam imagens maravilhosas e acompanha-se a obra com interesse.
Por isto e por aquilo, muito obrigada ao Coletivo Nonada.
Com vários objetos e sons simples, criam imagens maravilhosas e acompanha-se a obra com interesse.
Por isto e por aquilo, muito obrigada ao Coletivo Nonada.
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| Foto Mirna Módolo |
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